{"id":3789,"date":"2022-01-12T19:19:20","date_gmt":"2022-01-12T19:19:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.le.com.br\/blog\/?p=3789"},"modified":"2022-01-12T19:19:23","modified_gmt":"2022-01-12T19:19:23","slug":"viagens-de-mario-de-andrade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/le.com.br\/blog\/viagens-de-mario-de-andrade\/","title":{"rendered":"Viagens de M\u00e1rio de Andrade ajudaram a formar identidade brasileira"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-cover has-background-dim-30 has-background-dim\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"717\" height=\"499\" class=\"wp-block-cover__image-background wp-image-3797\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Ha-uma-gota-de-poesia-em-cada-rio-da-Amazonia-pagina-61.png\" style=\"object-position:67% 63%\" data-object-fit=\"cover\" data-object-position=\"67% 63%\" srcset=\"https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Ha-uma-gota-de-poesia-em-cada-rio-da-Amazonia-pagina-61.png 717w, https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Ha-uma-gota-de-poesia-em-cada-rio-da-Amazonia-pagina-61-300x209.png 300w, https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Ha-uma-gota-de-poesia-em-cada-rio-da-Amazonia-pagina-61-600x418.png 600w\" sizes=\"(max-width: 717px) 100vw, 717px\" \/><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-large-font-size\"><strong><sub><sup>Em 1927, um dos principais nomes do modernismo fez uma incurs\u00e3o pelas \u00e1guas da Amaz\u00f4nia. As viagens de M\u00e1rio de Andrade permitiram que o escritor visse de perto um Brasil que quase ningu\u00e9m conhecia.<\/sup><\/sub><\/strong><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><strong>M\u00e1rio de Andrade fez muito em vida: prosador, poeta, music\u00f3logo, historiador, cr\u00edtico de arte&#8230; Como etn\u00f3grafo, foi um dos maiores estudiosos e int\u00e9rpretes da cultura popular brasileira.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, foi um dos principais defensores do nosso patrim\u00f4nio material e imaterial. Para ele, a identidade brasileira ia al\u00e9m da cultura erudita e devia levar em conta a contribui\u00e7\u00e3o dos grupos sociais marginalizados.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele reconheceu a forma como as classes dominantes desvalorizaram as culturas dos ribeirinhos, seringueiros e ind\u00edgenas. Assim, as viagens de M\u00e1rio de Andrade contribu\u00edram para a concep\u00e7\u00e3o de brasilidade que temos hoje.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Antes das viagens de M\u00e1rio de Andrade \u00e0 Amaz\u00f4nia<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Escritor urbano e paulista, inicialmente, sua inten\u00e7\u00e3o era mais escrever um livro modernista do que fazer uma viagem. Com os cart\u00f5es postais enviados pelos amigos, ele tinha o mundo em sua casa: \u201cN\u00e3o fui feito pra viajar, bolas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O que ele mais queria era a seguran\u00e7a e o conforto que seus livros lhe proporcionavam em S\u00e3o Paulo, na sua \u201ccasa de Verdade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, as viagens mais longas que tinha feito iam at\u00e9 Minas Gerais. L\u00e1, conheceu Aleijadinho e as obras do barroco. Ali\u00e1s, as viagens de M\u00e1rio de Andrade a Minas foram a inspira\u00e7\u00e3o para o poema <em>Noturno de Belo Horizonte<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele dizia que curava suas dores nas est\u00e2ncias hidrominerais de Arax\u00e1 (MG) e \u00c1guas de Lind\u00f3ia (SP). Costumava finalizar seus textos se isolando em uma ch\u00e1cara em Araraquara (SP).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mesmo tendo sido escrito em 1925,<em> Dois poemas acreanos<\/em> j\u00e1 mostrava qual era a inten\u00e7\u00e3o do poeta<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cover has-background-dim-30 has-background-dim\"><img decoding=\"async\" width=\"782\" height=\"1024\" class=\"wp-block-cover__image-background wp-image-3796\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Ha-uam-gota-de-poesia-em-cada-rio-da-Amazonia-pagina-43-782x1024.png\" style=\"object-position:25% 32%\" data-object-fit=\"cover\" data-object-position=\"25% 32%\" srcset=\"https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Ha-uam-gota-de-poesia-em-cada-rio-da-Amazonia-pagina-43-782x1024.png 782w, https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Ha-uam-gota-de-poesia-em-cada-rio-da-Amazonia-pagina-43-229x300.png 229w, https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Ha-uam-gota-de-poesia-em-cada-rio-da-Amazonia-pagina-43-768x1006.png 768w, https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Ha-uam-gota-de-poesia-em-cada-rio-da-Amazonia-pagina-43-600x786.png 600w, https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Ha-uam-gota-de-poesia-em-cada-rio-da-Amazonia-pagina-43.png 1127w\" sizes=\"(max-width: 782px) 100vw, 782px\" \/><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-large-font-size\"><strong><sub><sup>N\u00e3o v\u00ea que me lembrei que l\u00e1 no norte, meu Deus! muito longe de mim,<br>Na escurid\u00e3o ativa da noite que caiu,<br>Um homem p\u00e1lido magro de cabelo escorrendo nos olhos,<br>Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,<br>Faz pouco se deitou, est\u00e1 dormindo.<br>Esse homem \u00e9 brasileiro que nem eu\u2026<\/sup><\/sub><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-large-font-size\"><sub><sup>M\u00e1rio de Andrade, em <em>Dois poemas acreanos <\/em><\/sup><\/sub><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Amaz\u00f4nia como ponto de partida para muito mais<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A imers\u00e3o em novas realidades mudou completamente o escritor. Ele percebeu como os ind\u00edgenas viam o mundo de forma completamente destoante daquela que conhecia.<\/p>\n\n\n\n<p>As pesquisas que fez tiveram impacto em toda sua produ\u00e7\u00e3o posterior. Um destaque \u00e9 <em>Cl\u00e3 do Jabuti<\/em>, publicado meses depois.<\/p>\n\n\n\n<p>O cl\u00e1ssico <em>Macuna\u00edma<\/em>, por sua vez, estava em fase embrion\u00e1ria antes das expedi\u00e7\u00f5es. A obra passou por v\u00e1rias vers\u00f5es e teve os rumos e o final da hist\u00f3ria alterados, claramente influenciados pelas andan\u00e7as do escritor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na verdade, as viagens de M\u00e1rio de Andrade influenciaram o modernismo como um todo. Afinal, elas ampliaram percep\u00e7\u00e3o de todos sobre a identidade brasileira e os fen\u00f4menos que fazem parte dela.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, ajudaram a construir os projetos est\u00e9ticos e pol\u00edticos de M\u00e1rio de Andrade. Mais tarde, como chefe do Departamento de Cultura da cidade de S\u00e3o Paulo, ele organizou a Miss\u00e3o de Pesquisas Folcl\u00f3ricas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa segunda expedi\u00e7\u00e3o foi de novembro de 1928 a fevereiro de 1929. Nela, documentou diversas manifesta\u00e7\u00f5es culturais, dessa vez, nos estados do Nordeste: Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Para\u00edba.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Viagens de M\u00e1rio de Andrade documentadas em <em>O turista aprendiz<\/em><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Mario-de-Andrade.jpg\" alt=\"Imagem ilustrativa texto viagens de M\u00e1rio de Andrade.\" class=\"wp-image-3792\" width=\"207\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Mario-de-Andrade.jpg 625w, https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Mario-de-Andrade-188x300.jpg 188w, https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Mario-de-Andrade-600x960.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 207px) 100vw, 207px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>As reflex\u00f5es sobre a identidade brasileira n\u00e3o ficaram s\u00f3 nos poemas e obras de fic\u00e7\u00e3o. Muitos relatos de viagem est\u00e3o em <em>O Turista Aprendiz \u2013 Viagem pelo Amazonas at\u00e9 o Peru, pelo Madeira at\u00e9 a Bol\u00edvia, e por Maraj\u00f3 at\u00e9 dizer chega<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra foi publicada pela primeira vez em 1976, ou seja, 31 anos ap\u00f3s a morte do escritor. At\u00e9 hoje, esse \u00e9 considerado um dos mais importantes relatos em \u00e1rea remotas do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ao ler diversas passagens, \u00e9 poss\u00edvel partilhar cada vis\u00e3o, sensa\u00e7\u00e3o, gosto e cheiro que o escritor sentiu. Entre as observa\u00e7\u00f5es, estavam a cultura material, a m\u00fasica, as varia\u00e7\u00f5es da l\u00edngua e a culin\u00e1ria.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, a culin\u00e1ria! Os relatos detalhados sobre os pratos, ingredientes e iguarias foram muito influentes. At\u00e9 hoje, a gastronomia do Norte brasileiro \u00e9 reverenciada por chefs de cozinha do Brasil e do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p><em>O turista aprendiz<\/em> tamb\u00e9m traz reflex\u00f5es bem-humoradas. Em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, M\u00e1rio de Andrade questiona o eurocentrismo presente nos modismos da elite brasileira e sua rela\u00e7\u00e3o com a cultura nacional cotidiana.<\/p>\n\n\n\n<p>Em algumas passagens aned\u00f3ticas, ele faz um paralelo e brinca com o \u201colhar imperial\u201d. Ou seja, o olhar de superioridade presente nos relatos de viagem europeus, geralmente, ligados a projetos civilizat\u00f3rios imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda muitas fotos registradas com a \u201ccodaque\u201d, a c\u00e2mera que o escritor sempre tinha a tiracolo. Voc\u00ea pode conferir a obra na \u00edntegra <a href=\"http:\/\/portal.iphan.gov.br\/uploads\/publicacao\/O_turista_aprendiz.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Conhe\u00e7a o livro<\/strong><em> <strong>H\u00e1 uma gota de poesia em cada rio da Amaz\u00f4nia<\/strong><\/em><strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea conhece o livro <em><a href=\"https:\/\/www.le.com.br\/blog\/ha-uma-gota-de-poesia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">H\u00e1 uma gota de poesia em cada rio da Amaz\u00f4nia \u2013 Di\u00e1rio po\u00e9tico de um turista aprendiz<\/a><\/em>? A obra, totalmente ilustrada e direcionada ao p\u00fablico infantojuvenil, \u00e9 composta por trechos dos relatos de M\u00e1rio de Andrade.<\/p>\n\n\n\n<p>O respons\u00e1vel pelas ilustra\u00e7\u00f5es e pela sele\u00e7\u00e3o dos textos foi Fernando A. Pires. Abaixo, confira a entrevista com o autor.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Entrevista com o autor e ilustrador Fernando A. Pires pela Abacatte Editorial\" width=\"680\" height=\"383\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2MDFgcgggo4?start=244&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>O lan\u00e7amento ser\u00e1 na ter\u00e7a-feira, 18\/1, \u00e0s 19 horas. No bot\u00e3o abaixo, voc\u00ea se inscreve para o encontro on-line, que ocorrer\u00e1 no Zoom.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons alignfull is-content-justification-center is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button has-custom-width wp-block-button__width-50 is-style-fill\"><a class=\"wp-block-button__link has-white-color has-vivid-red-background-color has-text-color has-background\" href=\"https:\/\/poiesis.education1.com.br\/publico\/inscricao\/41f3df50f91a705c3b3adbcd96afa2cc\" style=\"border-radius:25px\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Lan\u00e7amento de <em>H\u00e1 uma gota de poesia em cada rio da Amaz\u00f4nia<\/em><\/strong><\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>O link para o evento ser\u00e1 enviado em seu e-mail. Participe e saiba mais sobre como as viagens de M\u00e1rio de Andrade influenciaram a cultura brasileira. Te espero l\u00e1!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rio de Andrade fez muito em vida: prosador, poeta, music\u00f3logo, historiador, cr\u00edtico de arte&#8230; Como etn\u00f3grafo, foi um dos maiores estudiosos e int\u00e9rpretes da cultura popular brasileira. Na verdade, foi um dos principais defensores do nosso patrim\u00f4nio material e imaterial. 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