{"id":4060,"date":"2022-02-09T15:22:03","date_gmt":"2022-02-09T15:22:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.le.com.br\/blog\/?p=4060"},"modified":"2022-02-10T15:12:33","modified_gmt":"2022-02-10T15:12:33","slug":"suspensao-da-descrenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/le.com.br\/blog\/suspensao-da-descrenca\/","title":{"rendered":"Suspens\u00e3o da descren\u00e7a \u00e9 necess\u00e1ria em qualquer fic\u00e7\u00e3o. Saiba mais"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Reconexao-pagina-31-761x1024.png\" alt=\"Rob\u00f4, menino e menina conversando. Reconex\u00e3o, p\u00e1gina 31. Imagem ilustrativa texto suspens\u00e3o da descren\u00e7a.\" class=\"wp-image-4062\" width=\"255\" height=\"343\" srcset=\"https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Reconexao-pagina-31-761x1024.png 761w, https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Reconexao-pagina-31-223x300.png 223w, https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Reconexao-pagina-31-768x1033.png 768w, https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Reconexao-pagina-31-1142x1536.png 1142w, https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Reconexao-pagina-31-600x807.png 600w, https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Reconexao-pagina-31.png 1198w\" sizes=\"(max-width: 255px) 100vw, 255px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar em suspens\u00e3o de descr\u00e9dito, suspens\u00e3o da incredulidade ou suspens\u00e3o volunt\u00e1ria da descren\u00e7a? O termo ficou eternizado em 1817 pelo poeta ingl\u00eas Samuel Taylor Coleridge:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u2026 meus esfor\u00e7os deveriam ser dirigidos a pessoas e personagens sobrenaturais, ou pelo menos rom\u00e2nticos, mas de forma a transferir de nossa natureza interior um interesse humano e uma apar\u00eancia de verdade suficiente para obter para essas sombras da imagina\u00e7\u00e3o aquela suspens\u00e3o volunt\u00e1ria da descren\u00e7a naquele momento, que constitui a f\u00e9 po\u00e9tica.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Bem, a verdade \u00e9 que <a href=\"https:\/\/le.com.br\/blog\/fatos-historicos-e-ficcao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">boa parte das obras de fic\u00e7\u00e3o<\/a> se baseiam em premissas cientificamente incorretas ou que contradizem o senso comum. Mesmo assim, voc\u00ea se disp\u00f5e a aceit\u00e1-las como veross\u00edmeis.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um acordo impl\u00edcito: os autores oferecem entretenimento, emo\u00e7\u00e3o e fantasia. Em troca, os espectadores oferecem sua confian\u00e7a e, temporariamente, fingem ignor\u00e2ncia e cancelam seus julgamentos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"entenda-a-suspensao-da-descrenca\"><strong>Entenda a suspens\u00e3o da descren\u00e7a<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Sabe aquelas vezes em que voc\u00ea tem plena consci\u00eancia de que aquilo que est\u00e1 em um livro, pe\u00e7a, game ou filme n\u00e3o poderia acontecer na vida real?<\/p>\n\n\n\n<p>Estou falando sobre apreciar as batalhas espaciais e suas explos\u00f5es barulhentas, mesmo sabendo que o som n\u00e3o se propaga no v\u00e1cuo. Ou ent\u00e3o, acreditar que um anel tem poderes m\u00e1gicos e vontade pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 comum ver um atirador que acerta facilmente um alvo sem precisar mirar ou algu\u00e9m que, sozinho, derrota um ex\u00e9rcito inteiro. Por quest\u00e3o de entretenimento, voc\u00ea ignora a probabilidade daquilo acontecer, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Vladimir-e-o-navio-voador-pagina-37.png\" alt=\"Homem comendo p\u00e3o, vendo navio voando. Vladimir e o navio voador, p\u00e1gina 37. Imagem ilustrativa texto suspens\u00e3o da descren\u00e7a.\" class=\"wp-image-4065\" width=\"254\" height=\"370\" srcset=\"https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Vladimir-e-o-navio-voador-pagina-37.png 406w, https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Vladimir-e-o-navio-voador-pagina-37-206x300.png 206w\" sizes=\"(max-width: 254px) 100vw, 254px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Claro, h\u00e1 requisitos para que o p\u00fablico se deixe levar pela ilus\u00e3o de uma realidade alternativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiramente, os autores, ilustradores ou diretores precisam apresentar algo que seja razo\u00e1vel e tenha coer\u00eancia com o restante da obra. Elementos que pare\u00e7am deslocados fazem qualquer espectador perder o interesse.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, eles podem querer que o p\u00fablico voluntariamente se deixe enganar pelas mentiras contadas. Antes, no entanto, \u00e9 preciso criar um universo suficientemente real, que tenha a capacidade de sustentar a ilus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para isso, as descri\u00e7\u00f5es desse universo e dos personagens que vivem nele precisam ser bem claras. Se poss\u00edvel, estimulando os cinco sentidos do receptor.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"quais-os-desafios-para-ela-funcione\"><strong>Quais os desafios para ela funcione?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Pense que voc\u00ea est\u00e1 lendo uma obra antiga de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que, como a maioria delas, fez especula\u00e7\u00f5es erradas de como seria o futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda aquelas que v\u00e3o <a href=\"https:\/\/le.com.br\/blog\/interesse-pela-ciencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">contra preceitos cient\u00edficos<\/a> que ainda n\u00e3o tinham sido descobertos ou chegado ao conhecimento do p\u00fablico em geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso torna essas obras datadas, certo? Ainda assim, \u00e9 interessante exercitar a sua suspens\u00e3o da descren\u00e7a nesses casos. Afinal, ela permite que voc\u00ea entre no pensamento das pessoas da \u00e9poca e entenda no que elas acreditavam.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Al\u00e9m disso, os paralelos com o nosso mundo e os coment\u00e1rios sobre o comportamento humano ainda est\u00e3o nessas alegorias.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s vezes, temos emo\u00e7\u00f5es e sentimentos reais que s\u00e3o causados por pessoas e situa\u00e7\u00f5es fict\u00edcias. \u00c9 algo parecido com a suspens\u00e3o da descren\u00e7a, mas tem outro nome: paradoxo da fic\u00e7\u00e3o (isso daria outro post, o que acha?).<\/p>\n\n\n\n<p>E voc\u00ea, j\u00e1 sabia o que \u00e9 suspens\u00e3o da descren\u00e7a? Se achou este post interessante, continue acompanhando o site da L\u00ea diariamente! Aqui, sempre temos conte\u00fados que valorizam todas as formas de arte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar em suspens\u00e3o de descr\u00e9dito, suspens\u00e3o da incredulidade ou suspens\u00e3o volunt\u00e1ria da descren\u00e7a? 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