{"id":5364,"date":"2022-05-31T13:01:51","date_gmt":"2022-05-31T13:01:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.le.com.br\/blog\/?p=5364"},"modified":"2022-06-01T13:00:10","modified_gmt":"2022-06-01T13:00:10","slug":"vale-da-estranheza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/le.com.br\/blog\/vale-da-estranheza\/","title":{"rendered":"Vale da estranheza: quando realismo demais causa um efeito negativo"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-cover\"><span aria-hidden=\"true\" class=\"has-background-dim-0 wp-block-cover__gradient-background has-background-dim\"><\/span><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"974\" height=\"623\" class=\"wp-block-cover__image-background wp-image-5371\" alt=\"Manequins no cinema. Imagem ilustrativa texto vale da estranheza.\" src=\"https:\/\/www.le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Manequins.png\" style=\"object-position:60% 68%\" data-object-fit=\"cover\" data-object-position=\"60% 68%\" srcset=\"https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Manequins.png 974w, https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Manequins-300x192.png 300w, https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Manequins-768x491.png 768w, https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Manequins-600x384.png 600w\" sizes=\"(max-width: 974px) 100vw, 974px\" \/><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-large-font-size\"><sub><sup><strong>Muitos desenhos e esculturas tentam ser realistas, mas, claramente, ainda d\u00e1 para perceb\u00ea-los como representa\u00e7\u00f5es artificiais ou falsas.<\/strong> <strong>Isso provoca uma sensa\u00e7\u00e3o de perturba\u00e7\u00e3o, chamada de \u201cvale da estranheza\u201d.<\/strong><\/sup><\/sub><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>O termo vem do ingl\u00eas <em>uncanny valley<\/em>, usado pela primeira vez em 1970, pelo cientista japon\u00eas Masahiro Mori. A inten\u00e7\u00e3o dele foi explicar um fen\u00f4meno que ocorre na engenharia rob\u00f3tica, em sua busca pela perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Rob\u00f4s podem reproduzir caracter\u00edsticas e express\u00f5es humanas e chegar bem pertinho do real. Mesmo assim, qualquer um \u00e9 capaz de perceber que s\u00e3o rob\u00f4s.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais tarde, a express\u00e3o passou a se referir tamb\u00e9m aos seres humanos e animais representados nas artes visuais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-mas-que-vale-e-esse\"><strong>Mas que vale \u00e9 esse?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Segundo a hip\u00f3tese de Masahiro Mori, quanto mais um modelo se parece com o real, maior a empatia que ele causa. No entanto, isso vai s\u00f3 at\u00e9 certo ponto, a partir do qual o efeito passa a ser justamente o contr\u00e1rio.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Grafico-vale-da-estranheza.png\" alt=\"Gr\u00e1fico vale da estranheza.\" class=\"wp-image-5368\" width=\"307\" height=\"239\" srcset=\"https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Grafico-vale-da-estranheza.png 800w, https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Grafico-vale-da-estranheza-300x234.png 300w, https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Grafico-vale-da-estranheza-768x600.png 768w, https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Grafico-vale-da-estranheza-600x469.png 600w\" sizes=\"(max-width: 307px) 100vw, 307px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Ou seja, um n\u00edvel espec\u00edfico de verossimilhan\u00e7a causa repulsa e at\u00e9 medo. Ainda assim, se o realismo continuar aumentando, a rea\u00e7\u00e3o volta a ser cada vez mais positiva e tende a ser a mesma que <a href=\"https:\/\/www.le.com.br\/blog\/livros-sobre-empatia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">um ser humano tem com o outro<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O vale da estranheza, ent\u00e3o, se refere \u00e0 linha do gr\u00e1fico empatia x verossimilhan\u00e7a. Ele compreende a parte da linha que come\u00e7a na resposta ao que \u00e9 quase humano e vai at\u00e9 o que \u00e9 completamente humano.<\/p>\n\n\n\n<p>Para compararmos a sensa\u00e7\u00e3o, \u00e9 semelhante ao que ocorre quando vemos um v\u00eddeo ou foto com excesso de filtros ou corre\u00e7\u00f5es. Nesse caso, entretanto, o vale da estranheza surge pelo motivo oposto, que \u00e9 a perda da naturalidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Vale da estranheza, da rob\u00f3tica para as artes visuais<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Pense nos tipos de ilustra\u00e7\u00f5es e anima\u00e7\u00f5es que t\u00eam a cara mais amig\u00e1vel. Geralmente, os mais \u201cfofos\u201d s\u00e3o aqueles com tra\u00e7os exagerados ou, ao contr\u00e1rio, s\u00e3o extremamente simples.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Estou falando daqueles bonecos cabe\u00e7udinhos, com pares de olhos feitos de uma \u00fanica \u00e1rea branca, al\u00e9m de narizes e queixos pontudos. Claro, quase sempre s\u00e3o desenhos direcionados ao p\u00fablico infantil. <a href=\"https:\/\/le.com.br\/blog\/cartum\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mas n\u00e3o somente<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica \u00e9 uma t\u00e9cnica frequentemente usada para fazer algo parecer real. Mesmo assim, ela causa desconforto, sobretudo entre as pessoas que cresceram com os efeitos pr\u00e1ticos e os desenhos de duas dimens\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Imagine, ent\u00e3o, como era h\u00e1 uns 30 anos, quando a tecnologia ainda estava engatinhando. Detalhes como o piscar dos olhos, as diferentes texturas, a pron\u00fancia dos fonemas e as nuances das express\u00f5es faciais eram ausentes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um baita dilema, n\u00e3o \u00e9? N\u00e3o \u00e0 toa, os profissionais especializados nessa \u00e1rea s\u00e3o chamados, merecidamente, de artistas digitais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Vale da estranheza, das artes visuais para a literatura<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Uma das metas da literatura infantojuvenil, certamente, \u00e9 levar encantamento ao m\u00e1ximo de jovens e crian\u00e7as. Para isso, \u00e9 preciso que os livros tenham textos, projetos gr\u00e1ficos e ilustra\u00e7\u00f5es feitos com sensibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Os livros da L\u00ea cativam leitores trazendo trabalhos de artistas com t\u00e9cnicas variadas: l\u00e1pis, aquarela, 3D, massinha, recortes&#8230; Em nosso cat\u00e1logo, \u00e9 poss\u00edvel encontrar t\u00edtulos com ilustra\u00e7\u00f5es de diferentes graus de realismo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/linktr.ee\/grupoeditorialle\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"62\" src=\"https:\/\/www.le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Redes-sem-logo-1024x62.png\" alt=\"Redes do Grupo L\u00ea\" class=\"wp-image-5259\" srcset=\"https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Redes-sem-logo-1024x62.png 1024w, https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Redes-sem-logo-300x18.png 300w, https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Redes-sem-logo-768x46.png 768w, https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Redes-sem-logo-600x36.png 600w, https:\/\/le.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Redes-sem-logo.png 1489w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Interessante esse conceito de vale da estranheza, n\u00e3o \u00e9? 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